domingo, 30 de janeiro de 2011

Uma mulher com muitos nomes (Afonso Sanches/Trovadorismo)

Tive essa idéia antes da Luxúria postar a primeira classe literária.Então,depois dela postar cada classe literária,vou postar uma respectiva obra e analizar.
Foi então que eu descobri que o trovadorismo é um verdadeiro saco pra se entender,e pior ainda pra se analizar;mas me esforcei bastante durante 2 dias e acho que fiz uma análise satisfatória.Se alguém discordar da análise,sinta-se a vontade para questionar.
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Conhocedes a donzela
por que trobei, que avia 
nome Dona Biringela? 
Vedes camanha perfia 
e cousa tan desguisada: 
des que ora foi casada, 
chaman-lhe Dona Charia. 
D' al and' ora mais nojado, 
se Deus me de mal defenda: 
estand' ora segurado 
un, que maa morte prenda 
e o Demo cedo tome, 
quis-la chamar per seu nome 
e chamou-lhe Dona Ousenda. 
Pero se ten por fremosa 
mais que s' ela, por Deus, pode, 
pola Virgen gloriosa, 
un ome que ....-ode 
e cedo seja na forca, 
estando, cerrou-lh’ a boca, 
chamou-lhe Dona Gondrode. 
E par Deus, o poderoso, 
que fez esta senhor minha, 
d' al and' ora mais nojoso: 
do demo dũa meninha, 
………………………..-ora, 
u lhe quis chamar senhora, 
chamou-lhe Dona Gontinha.
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Nesta viagem pela obra de Afonso Sanches, o sujeito poético dirige-se a um 
público cúmplice: nos três primeiros versos, pergunta aos ouvintes se 
conhecem uma donzela chamada “Biringela” e a quem teria dedicado uns 
versos. Logo a seguir, revolta-se, afirmando que, depois de a referida 
senhora ter casado, passaram a chamar-lhe “dona Charia”.
         Uma breve passagem pelas restantes estrofes leva-nos a descobrir, "facilmente",um paralelismo semântico: sempre indignado, o poeta descobre que a senhora era conhecida por nomes diferentes, conforme era abordada por diferentes homens, sendo que cada um desses nomes aparece sempre no final de cada uma das estrofes.
         Há, no entanto, que vincar uma diferença: na primeira estrofe, o verbo “chamar” está na terceira pessoa do plural, ao passo que, nas restantes, surge no singular. Há, ainda, a notar uma outra diferença: a palavra presente no final da primeira estrofe não é exactamente um antropónimo. Efetivamente, “Charia” seria um termo derivado da palavra árabe que designava as concubinas brancas compradas pelos árabes andaluzes. A aceitarmos essa hipótese, poderíamos estar perante um insulto que poderia atingir não só a mulher em causa, mas também o marido, reduzido afinal à condição de mouro.
         Todos os outros nomes são antropónimos femininos documentados na Idade Média. Que poderemos, então, conjecturar com base nesta flutuação onomástica? Será que esta senhora teria oferecido favores a vários homens, confessando diferentes nomes a cada um deles? A ser assim, estaríamos na presença de uma verdadeira mulher-demónio, uma autêntica manipuladora de pobres homens, entre os quais o triste sujeito poético, que descobre que não tinha sido o único no coração desta mulher desalmada. As nossas leitoras podem escandalizar-se, chamando a atenção para os milhares de anos de comportamentos masculinos similares. No entanto, não podemos esquecer-nos de que este texto foi escrito por um homem da Idade Média, numa época em que ainda não tinha sido inventada a palavra “feminismo”.

A literatura antes da literatura.

Bom...a luxúria começou a comentar sobre as escolas literarias da lingua portuguesa,e eu não poderia deixar vocês pensarem que antes disso não existiu literatura.Por isso vou fazer um breve resumo do que aconteceu antes. =D

Séculos VIII a.C. a II a.C.
As primeiras obras da História que se tem informação são os dois poemas atribuídos a Homero: Ilíada e Odisséia. Os dois poemas narram as aventuras do herói Ulisses e a Guerra de Tróia.  Na Grécia Antiga os principais poetas foram: Píndaro, Safo e Anacreonte. Esopo fica conhecido por suas fábulas e Heródoto, o primeiro historiador, por ter escrito a história da Grécia em seu tempo e dos países que visitou, entre eles o Egito Antigo.

Séculos I a.C. a II d.C.:A literatura na História de Roma Antiga
Vários estilos que se praticam até hoje, como a sátira, são originários da civilização romana. Entre os escritores romanos do século I a.C. podemos destacar: Lucrécio (A Natureza das Coisas); Catulo e Cícero. Na época de 44 a.C. a 18 d.C., durante o império de Augusto, corresponde uma intensa produção tanto em poesia lírica, com Horácio e Ovídio, quanto em poesia épica, com Virgílio autor de Eneida. A partir do ano 18, tem início o declínio da História do Império Romano, com as invasões germânicas. Neste período destacam-se os poetas Sêneca, Petrônio e Apuleio. 

Séculos III a X
Após a invasão dos bárbaros germânicos, a Europa se isola, forma-se o feudalismo e a Igreja Católica começa a controlar a produção cultural. A língua (latim) e a civilização latina são preservadas pelos monges nos mosteiros.A partir do século X começam a surgir poemas, principalmente narrando guerras e fatos de heroísmo. 

Século XI : As Canções de Gesta e as Lendas Arturianas
É a época das Canções de Gesta, narrativas anônimas, de tradição oral, que contam aventuras de guerra vividas nos séculos VIII e IX , o período do Império Carolíngio. A mais conhecida é a Chanson de Roland ( Canção de Rolando ) surgida em 1100. Quanto à prosa desenvolvida na Idade Média, destacam-se as novelas de cavalaria, como as que contam as aventuras em busca do Santo Graal (Cálice Sagrado) e as lendas do rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda.Pode ser confundida como parte do trovadorismo, mas o trovadorismo consiste SOMENTE em poesia.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ainda que eu ande pelo vale da sombra e da morte...

Por mais firmes e fortes que nos tornemos, por mais que estudemos, por mais que tenhamos certeza e fé em nossa causa, um dia, uma hora, um minuto, uma fadiga nos atordoará e nos fará pensar em desistir.
Pensamos em todo o sacrifício que fazemos, as horas de lazer que perdemos, lembramos dos irmãos que desistiram no caminho, imaginamos as grandes dificuldades que ainda estão porvir.
Assistimos os inimigos e ignorantes debocharem, os apáticos de braços cruzados reclamarem sem nada fazer, as
pessoas a nossas volta aos poucos se voltarem contra nós.
Observamos tudo isso com o corpo e a mente cansada da luta, somos tentados a abaixar a cabeça, cruzar os braços e fechar os olhos; e assim muitos o fazem, incontáveis são os que desistem ao esbarrarem em tantos obstáculos. Sim, nós cansamos, pois somos humanos e lutar pela Causa é um Sacrifício de vida! Mas ao contrário de muitos, não desistimos e acima de tudo não caímos, continuamos de pé, recebendo cada golpe com coragem, revidando e reagindo tanto quanto podemos. E, a cada instante que nos mantemos de pé, enquanto tantos caem vencidos, ou se escondem amedrontados, temos a certeza de que existe uma causa maior, e por isso somos guiados senão para a vitória ao menos para a HONRA ETERNA dos verdadeiros heróis!
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 "De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto" (Rui Barbosa)
"No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz." (General Emílio Garrastazu Médici)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Homem "Moderno"??


O homem moderno não passa de uma simples marionete, que,guiado pelas cordas da moda segue um caminho vazio e sem sentido,rumo a uma satisfação sempre adiada pelo constante movimento do consumo;uma “evolução” fútil e desprovida de sentido. Essa marcha insana é quase como uma eterna utopia que não consegue alcançar o objetivo.
Cada vez mais infantilizado o homem é a própria causa de sua infelicidade. A avareza ostentadora,satisfação do ego narcisista, os desejos pessoais não alcançados,os instintos baixos insuflados artificialmente e não satisfeitos são as bases da desestruturação do ser.Não são somente imposições da sociedade, como dizem os sociólogos, ao menos não de uma sociedade orgânica e natural, mas sim de uma sociedade modificada por um pecaminoso e antinatural processo revolucionário de massa que trabalha dia e noite pela substituição, modificação e anulação de valores primordiais para o bem estar do indivíduo e conseqüentemente da sociedade em suas funções orgânicas.
Tais valores tradicionais dão à sociedade como um todo força e coesão interna, fortalecendo seu estado natural de resistência contra processos decompositores. A destruição do sentimento de honra, família, Deus e pátria provocaram o surgimento desse abominável mundo novo, habitado por "adultos-crianças" e infelizes num constante martírio pela busca de algo que foi perdido, o próprio sentido da vida.
O próprio sentido de “grandeza” se perdeu, não existem mais grandes objetivos além da compra do celular da moda, das roupas importadas e toda a ostentação da sociedade de consumo.Grandes aspirações outrora tão nobres hoje são vistas como bobagens moralistas e ultrapassadas, e qualquer defensor das velhas tradições é imediatamente ridicularizado e tomado por um Dom Quixote do século XXI.
Saiba que tudo isso esta errado.Não se entregue ao fluxo da moda, a falta de personalidade que permeia nossa sociedade contemporânea. Isso não deve nos atingir, pois, nossos objetivos são verdadeiros e nobres.
Não seja só mais um zumbi¹


¹Citei o "zumbi" propositalmente,pois o monstro que foi criado em favor da crítica ao consumismo,tornou-se agora produto de consumo.

Victor Hugo (1802 - 1886)

Nascido em Besançon, no Doubs, Victor Hugo foi o terceiro filho de Sophie Trébuchet e Joseph Hugo, um major que, mais tarde, se tornaria um general do exército napoleônico.
A infância de Victor Hugo foi marcada por grandes acontecimentos. Napoleão foi proclamado imperador dois anos depois do nascimento de Victor Hugo, e a monarquia dos Bourbons foi restaurada antes de seu décimo oitavo aniversário. Os pontos de vista políticos e religiosos opostos dos pais de Victor Hugo refletiam as forças que lutavam pela supremacia na França ao longo de sua vida: seu pai era um oficial que atingiu uma elevada posição no exército de Napoleão. Era um ateu republicano que considerava Napoleão um herói, enquanto sua mãe era uma radical católica defensora da casa real, sendo que se acredita tenha sido amante do general Victor Lahorie, que foi executado em 1812 por tramar contra Napoleão. Devido à ocupação do pai de Victor Hugo, Joseph, que era um oficial, mudavam-se com frequência e Victor aprendeu muito com essas viagens. Na viagem de sua família a Nápoles, ele viu as grandes passagens dos Alpes e seus picos nevados, o azul do Mediterrâneo e Roma durante suas datas festivas. Embora tivesse apenas cerca de seis anos à época, lembrava-se vividamente da viagem que durara meio ano. A família permaneceu em Nápoles por alguns meses e depois voltou para Paris.
Sophie acompanhou o marido em seus postos na Itália (onde Joseph Léopold ocupou o posto de governador de uma província perto de Nápoles) e Espanha (onde ele se encarregou de três províncias da Espanha). Cansada das constantes mudanças exigidas pela vida militar, e em litígio com o marido infiel, Sophie separou-se temporariamente de Joseph Léopold em 1803 e se estabeleceu em Paris. A partir de então, ela dominou a educação e formação de Victor Hugo. Como resultado, os primeiros trabalhos de Hugo na poesia e ficção refletem uma devoção apaixonada tanto do rei como da fé. Foi somente mais tarde, durante os eventos que levaram à Revolução de 1848, que ele iria começar a se rebelar contra a sua educação católica e monarquista e em vez disso advogar o republicanismo e o livre pensamento.
Victor Hugo passou a infância entre Paris, onde foi educado por muitos tutores e também em escolas privadas, Nápoles e Madrid.Considerado um menino precoce, ainda jovem tornou-se escritor, tendo em 1817, aos 15 anos, sido premiado pela Academia Francesa por um de seus poemas.
Em 1819 fundou, com os seus irmãos, uma revista, o "Conservateur Littéraire" (Conservador Literário) e no mesmo ano ganhou o concurso da Académie des Jeux Floraux, instituição literária francesa fundada no século 14.
Em 1821, Hugo publicou seu livro de poesias, "Odes et poésies diverses" (Odes e Poesias Diversas), com o qual ganhou uma pensão, concedida por Luís XVIII. Um ano mais tarde publicaria seu primeiro romance, "Han d'Islande" (Hans da Islândia).
Casou-se com sua amiga de infância, Adèle Foucher, em 12 de outubro de 1822, o casamento gerou o desgosto de seu irmão, Eugène, que era apaixonado por Adèle. Em decorrência disso, Eugène enloquece e é internado em um hospício. No ano seguinte, a morte do primeiro filho e o fracasso literário do livro Hans da Islândia, que não agrada a crítica, interrompem o período de estabilidade vivido até então. Em 1824 nasce sua primeira filha, Leopoldine.
Em 1825, aos 23 anos, recebe o título de Cavaleiro da Legião de Honra.Nesta época, torna-se líder de um grupo de escritores criando o Cenáculo.
A publicação da terceira coletânea de poemas de Victor Hugo, intitulada "Odes et Ballads", em 1826, marcou o início de um período de intensa criatividade.
Em 1827, no prefácio de seu extenso drama histórico, Cromwell, Hugo expõe uma chamada à liberação das restrições que impunham as tradições do classicismo. O prefácio é considerado o manifesto do movimento romântico na literatura francesa, nele o escritor fala da necessidade de romper com as amarras e restrições do formalismo clássico para poder então refletir a extensão plena da natureza humana.Ainda neste prefácio, Hugo defende o drama moderno, com a coexistência do sublime e do grotesco.O sucesso do prefácio de Cromwell consolidaram a imagem de Hugo como a principal liderança do romantismo na França. Aos 26 anos de idade, o escritor desfrutava de uma situação material confortável e prestígio não apenas entre a juventude rebelde francesa, mas também entre a corte de Carlos X.
Neste período integrou-se ao romantismo transformando-se em um verdadeiro porta-voz desse movimento. A residência de Hugo tornou-se um ponto de encontro de escritores românticos entre os quais Alfred de Vigny e o crítico literário Charles Augustin Sainte-Beuve.
A censura recai sobre sua obra, Marion do Lorme, em 1829, peça teatral apoiada na vida de uma cortesã francesa do século XVII, isso aconteceu porque a obra foi considerada muito liberal, e também devido ao fato dos censores terem interpretado a peça como uma crítica à Carlos X, o que fez com que a produção daquela que seria sua primeira peça a ser interpretada fosse cancelada.
Em 1830 estréia Hernani sua primeira obra teatral, que representa o fim do classicismo e expressa novas aspirações da juventude.A peça, que exalta o herói romântico em luta contra a sociedade,divide opiniões, agradando os jovens e desagradando os mais velhos, o que desencadeia uma disputa de público que contribui para a consagração de Hugo como líder romântico.A peça obteve grande sucesso, lotando o teatro em todas as suas exibições. A disputa entre opiniões gerada por Hernani obteve proporções além do teatro, apoiadores e opositores travavam brigas e discussões por toda a França.
Após o nascimento de mais uma filha, também no ano de 1830, que recebeu o nome da mãe, sua esposa recusa-se a ter mais filhos e concede ao marido liberdade para transitar por Paris, desde que não a aborrecesse. Tal fato, faz com que Hugo se entregue à libertinagem, ligando-se indistintamente à atrizes, aristocratas e humildes costureiras, mas contudo, ele não se separara de Adèle. Neste mesmo período, Adèle inicia um relacionamento amoroso com o amigo da família, Saint-Beauve.
Seu romance, Notre-Dame de Paris, é lançado em 1831, considerado o maior romance histórico de Victor Hugo, o livro definiu a forma de exploração ficcional do passado que marcaram o romantismo francês. O livro narra a história do amor altruísta do deformado sineiro da catedral de Notre Dame, Quasímodo, pela bailarina cigana Esmeralda. Com um estilo realista, especialmente nas descrições de Paris medieval e seu submundo, o enredo é melodramático, com muitas reviravoltas irônicas.O livro foi um sucesso instantâneo e logo fez de Hugo o mais famoso escritor que vivia na Europa, tendo o livro se propagado e traduzido por todo o continente.
No ano de 1832 Hugo mudou-se para um apartamento instalado na Praça de Vosges, no bairro Le Marais, onde morou até1848, tendo sido visitado por escritores como Honoré de Balzac, Alfred de Musset, Alexandre Dumas e o compositor Franz Liszt.
Em novembro de 1832 Victor Hugo apresentava em Paris Le Roi S’Amuse, uma peça baseada na vida amorosa do rei Francisco I da França. Desde 1827 até o ano da estreia de Le Roi S’Amuse, Hugo passara de uma postura inicialmente conservadora para um liberalismo reformista que se refletia em suas posições públicas e em sua obra. Le Roi S'Amuse também sofreria censura, acusada de expor a figura régia ao ridículo.
No ano seguinte, Hugo passa a ter um relacionamento amoroso com a atriz Juliette Drouet, que atuou em duas peças do autor que estrearam naquele ano, Lucrécia Borgia e Marie Tudor. Eles se conheceram em um momento em que Hugo estava abalado, pois descobrira que sua esposa o havia traído. Juliette intepretava o papel da Princesa Negroni em Lucrécia Borgia, exatamente quinze dias após a estréia da peça, em 16 de fevereiro de 1833, Juliette se tornou amante de Hugo. Hugo instalou Juliette em uma casa isolada no Les Metz, um lugarejo próximo à casa onde ele morava com sua família. Quase todos os dias eles se encontravam, o ponto de encontro era uma árvore oca em um bosque, o tronco desta árvore Juliette usava para deixar suas mensagens para ele e Hugo deixava suas cartas e poemas lá. O romance tinha momentos turbulentos devido a problemas financeiros, pois Juliette contraiu muitas dívidas com credores, ainda assim, o amor se mostrou resistente às discussões e brigas.
A peça Lucrécia Borgia, drama a que primeiro deu o título de Ceia em Ferrara teve grande êxito, o que foi considerado a vitória decisiva da escola romântica.
Em fevereiro de 1837 morre seu irmão Eugène, acometido por uma doença psicológica desde o casamento de Hugo, Eugène não voltou mais à razão, a doença o foi enfranquecendo e por fim o levou à morte. Este também foi ano em que o rei Luís Filipe I conferiu à Victor Hugo o grau de oficial da Legião de Honra, e os duques de Orléans enviaram-lhe um quadro de Ignez de Castro, pintado por Saint-Évre, na extremidade superior da moldura havia a seguinte inscrição: "O duque e a duqueza de Orleans ao sr. Victor Hugo, 27 de junho 1837".
Alugava apartamentos nos arredores de Paris com nomes falsos, onde encontrava-se com suas amantes. Numa dessas ocasiões foi flagrado com Léonie Briard, cujo o marido havia chamado a polícia, a mulher foi presa, quanto a Victor Hugo nada ocorreu-lhe.
Criado por sua mãe no espírito da monarquia, acaba por se convencer, pouco a pouco, do interesse da democracia ("Cresci", escreve num poema onde se justifica). A sua ideia é que "onde o conhecimento está apenas num homem, a monarquia se impõe." "Onde está num grupo de homens, deve fazer lugar à aristocracia. E quando todos têm acesso às luzes do saber, então vem o tempo da democracia".
Tendo se tornado favorável a uma democracia liberal e humanitária, é eleito deputado da Segunda República em 1848, e apoia a candidatura do príncipe Louis-Napoléon.
Exila-se após o golpe de Estado de 2 de Dezembro de 1851, que condena vigorosamente por razões morais em "Histoire d'un crime".
Durante o Segundo Império, em oposição a Napoléon III, vive em exílio em Jersey, Guernsey e Bruxelas. É um dos únicos proscritos a recusar a anistia decidida algum tempo depois: « Et s'il n'en reste qu'un, je serai celui-là » ("e se sobra apenas um, serei eu").
Com a morte da sua filha, Leopoldina, começa a descobrir e investigar experiências espíritas relatadas numa obra diferente nomeada "Les tables tournantes de Jersey".
De acordo com seu último desejo, seu corpo é depositado em um caixão humilde que é enterrado no Panthéon.
Tendo ficado vários dias exposto sob o Arco do Triunfo, estima-se que 1 milhão de pessoas vieram lhe prestar uma última homenagem. Quando morreu, as prostitutas de Paris ficaram de luto. A pessoa mais velha da história, Jeanne Calment, que morreu em 1997, afirma ter ido ao funeral de Victor Hugo. Jeanne tinha 10 anos quando houve o funeral.
A partir de 1849, Victor Hugo dedica um quarto da sua obra à política, um quarto à religião e outro à Filosofia humana e social. Se o pensamento de Victor Hugo pode parecer complexo e às vezes contraditório, não se pode dizer que seja monoteísta.
Sempre um reformista, envolve-se em política por toda a sua vida. Mas se critica as misérias sociais, não adota o discurso socialista da luta de classes. Pelo contrário, ele próprio viveu uma vida financeiramente confortável, construída com seus próprios esforços, tornando-se um dos escritores mais bem remunerados de sua época. Acreditava no direito do homem usufruir dos frutos do seu trabalho, embora reforçasse a responsabilidade que acompanha o enriquecimento pessoal. Desse modo, sempre buscou prosperar enquanto doava uma parte significativa de sua renda para diferentes obras de caridades.
Seu principal romance, os Miseráveis, narra a história de Jean Valjean, um sujeito que foge da prisão e reconstrói sua vida através do trabalho. Valjean monta uma empresa e, através dela, traz prosperidade para a sua região; além disso, usa sua fortuna em obras de caridade para ajudar os pobres. Suas boas obras são interrompidas apenas quando um policial - um agente do Estado - decide interferir arbitrariamente nas atividades privadas da sociedade civil.
Os Miseráveis, portanto, traz claramente a filosofia política de Victor Hugo. É um mundo onde há cooperação - e não luta - entre as classes; onde o empreendedor desempenha uma função essencialmente benéfica para todos; onde o trabalho é a via principal de aprimoramente pessoal e social; onde a intervenção estatal por motivos moralistas - seja do policial ou do revolucionário obcecado pela justiça terrena - é um dos principais riscos para o bem de todos que será gerado espontaneamente pelos indivíduos privados.
Ele também se opõe à violência quando ela se aplicou contra um poder democrático, mas a justifica (conforme à Declaração dos direitos do homem), contra um poder ilegítimo. É assim que, em 1851, lança um chamado à luta - "carregar seu fuzil e ficar preparado" - que não é seguido. Mantém esta posição até 1870, quando começa a Guerra Franco-Prussiana; Hugo a condena: "guerra de capricho" e não de liberdade.
Em seguida, o império é deposto e a guerra continua, desta vez contra a república. O argumento de Hugo em favor da fraternização resta, ainda, sem resposta. É assim que, em 17 de Setembro, publica uma chamada ao levante das massa e à resistência. Os republicanos moderados ficam horrorizados: preferem Bismarck aos "socialistas"! A população de Paris, no entanto, se mobiliza e lê avidamente Les Châtiments.
Coerente, Hugo não podia ser comunista: "O significado da Comuna é imenso, ela poderia fazer grandes coisas, mas na verdade faz somente pequenas coisas. E pequenas coisas que são odiosas, é lamentável. Compreendam-me: sou um homem de revolução. Aceito, assim, as grandes necessidades, mas somente sob uma condição: que sejam a confirmação dos princípios e não o seu desrespeito. Todo o meu pensamento oscila entre dois pólos: civilização-revolução "." A construção de uma sociedade igualitária só será possível se for conseqüência de uma recomposição da sociedade liberal."
No entanto, diante da repressão que se abate sobre os comunistas, o poeta declara seu desgosto: "Alguns bandidos mataram 64 reféns. Replica-se matando 6000 prisioneiros!".
Denunciando até o fim a segregação social, Hugo declara durante a última reunião pública que preside: "A questão social perdura. Ela é terrível, mas é simples: é a questão dos que têm e dos que não têm!". Tratava-se precisamente de recolher fundos para permitir a 126 delegados operários a viagem ao primeiro Congresso socialista da França, em Marselha.
Victor Hugo, no entanto, nunca aceitou o discurso socialista. Ele acreditava que uma sociedade aberta encontraria soluções para seus problemas. Mais que isso, ele era contra políticas de redistribuição de riquezas, pois o efeito dessas seria desincentivar a produção, fazendo com que toda a sociedade caminhasse para trás. Caso fosse permitida a liberdade de comércio, por outro lado, e caso se tolerasse algum grau de desigualdade social, o resultado seria o progresso geral de todos, beneficiando inclusive os membros mais pobres da sociedade.
"O comunismo e o agrarianismo acreditam que resolveram este segundo problema [da distribuição de renda], mas estão enganados: a distribuição destrói a produtividade. A repartição em partes iguais mata a ambição e, por consequência, o trabalho. É uma distribuição de açougueiros, que mata aquilo que reparte. Portanto, é impossível tomar essas pretensas soluções como princípio. Destruir riqueza não é distribuí-la".

*Obra


Odes et Poésies Diverses (1822)
Han d'Islande (1823)
Nouvelles Odes (1824)
Bug-Jargal (1826)
Odes et Ballades (1826)
Cromwell (1827)
Les Orientales (1829)
Le Dernier jour d'un condamné (1829)
Hernani (1830)
Notre-Dame de Paris-Nossa Senhora de Paris (1831)
Marion Delorme (1831)
Les Feuilles d'automne
Le Roi s'amuse (1832)
Lucrèce Borgia (1833)
Marie Tudor (1833)
Étude sur Mirabeau (1834)
Littérature et philosophie mêlées (1834)
Claude Gueux (1834)
Angelo (1835)
Les Chants du crépuscule (1835)
Les Voix intérieures (1837)
Ruy Blas (1838)
Les Rayons et les ombres (1840)
Le Rhin (1842)
Les Burgraves (1843)
Napoléon le Petit (1852)
Les Châtiments (1853)
Lettres à Louis Bonaparte (1855)
Les Contemplations (1856)
La Légende des siècles (1859)
Les Misérables (1862)
William Shakespeare (1864)
Les Chansons des rues et des bois (1865)
Les Travailleurs de la Mer (1866)
Paris-Guide (1867)
L'Homme qui rit (1869)
L'Année terrible (1872)
Quatrevingt-treize (1874)
Mes Fils (1874)
Actes et paroles - Avant l'exil (1875)
Actes et paroles - Pendant l'exil (1875)
Actes et paroles - Depuis l'exil (1876)
La Légende des Siècles 2e série (1877)
L'Art d'être grand-père (1877)
Histoire d'un crime - 1re partie (1877)
Histoire d'un crime - 2e partie (1878)
Le Pape (1878)
Vie ou de Mort (1875)
Religions et religion (1880)
L'Âne (1880)
Les Quatre vents de l'esprit (1881)
Torquemada (1882)
La Légende des siècles - Tome III (1883)
L'Archipel de la Manche (1883)
Œuvres posthumes
Théâtre en liberté (1886)
La fin de Satan (1886)
Choses vues - 1re série (1887)
Toute la lyre (1888)
Alpes et Pyrénées (1890)
Dieu (1891)
France et Belgique (1892)
Toute la lyre - nouvelle série (1893)
Correspondances - Tome I (1896)
Correspondances - Tome II (1898)
Les années funestes (1898)
Choses vues - 2e série (1900)
Post-scriptum de ma vie (1901)
Dernière Gerbe (1902)
Mille francs de récompense (1934)
Océan. Tas de pierres (1942)
Pierres (1951)
Mélancholia

Winston Churchill (1874 - 1965)


Filho de Lorde Randolph Spencer-Churchill e da socialite norte-americana Jennie Jerome, neto do sétimo duque de Marlborough e do terceiro marquês de Londonderry.
Depois de algumas novelescas aventuras (incluindo sua participação nas Guerras dos Bôeres) foi jornalista e acabou dedicando-se à política. Durante a Primeira Guerra Mundial foi o Primeiro Lord do Almirantado, e portanto principal responsável do desastre da campanha de Galípoli.
No período entre guerras, dedicou-se fundamentalmente à redação de diversos tratados. Notabilizou-se neste período, na Câmara dos Comuns, por uma violenta crítica ao nazismo alemão, rogando diversas vezes ao governo britânico que fossem investidos recursos na militarização, prevendo um possível ataque alemão num futuro próximo e temendo que o Reino Unido não estivesse preparado para resistir. Na ocasião, Churchill foi acusado de belicista, mas muitos estudiosos entendem que o acerto desta previsão foi uma das principais razões que levaram Churchill a ser eleito primeiro-ministro nove meses após a invasão da Polônia por Hitler em setembro de 1939 e consequente declaração de guerra à Alemanha pela Inglaterra em função do tratado de defesa mútua assinado com a Polônia.
Em 10 de maio de 1940, Churchill chegou ao cargo de primeiro-ministro britânico, contando 65 anos de idade. Seus discursos memoráveis, conclamando o povo britânico à resistência e sua crescente aproximação com o então presidente americano Franklin Delano Roosevelt, visando a que os Estados Unidos da América ingressassem definitivamente na guerra, foram essenciais para o êxito dos aliados. O exemplo de Churchill e sua incendiária oratória permitiram-lhe manter a coesão espiritual do povo britânico nas horas de prova suprema que significaram os bombardeios sistemáticos da Alemanha sobre Londres e outras cidades do Reino Unido. Devido a estes bombardeios em 20 de julho de 1944, mesmo dia em que Hitler sofreria um grave atentado contra sua vida, Churchill consideraria a possibilidade de utilizar gás venenoso em civis alemães, contrariando as regras internacionais da guerra moderna, sendo fortemente desencorajado pelos generais britânicos, abandonando a ideia ao final. Nessa época, ele comandava a Inglaterra de um prédio de escritórios simples, que não fora projetado para seu conforto, passando as manhãs deitado na cama, tomando banho em um cômodo separado de seu quarto, de forma tal que às vezes oficiais ingleses encontravam-no andando pelo prédio semi-nu e molhado.A má alimentação de Churchill, que passava o dia fumando charutos e bebendo um coquetel de whiskies, apavorava seu médico.
 Apesar da vitória na Segunda Guerra Mundial, em 1945 os conservadores de Churchill perderam as eleições para os trabalhistas, liderados por Clement Attlee, que se tornou primeiro-ministro. Em 1951, em razão de vitória por ampla maioria dos conservadores nas eleições daquele ano, Churchill voltou ao cargo de primeiro-ministro; tinha então 76 anos de idade.
Recebeu o Nobel de Literatura de 1953, por suas memórias de guerra (cinco volumes, também disponível nas livrarias em versão condensada, em volume único) e seu trabalho literário e jornalístico, anterior aos tempos de primeiro-ministro. Na ocasião, ele foi saudado como o maior dos ingleses vivos. Foi o primeiro a cunhar o termo "cortina de ferro" para ilustrar a separação entre a Europa comunista e a ocidental.
Em primeiro de março de 1955, Churchill proferiu seu último discurso na Câmara dos Comuns como chefe de governo, intitulado "Jamais desesperar" anunciando a sua renúncia ao mandato de primeiro-ministro, não sem antes alertar o mundo, mais uma vez, para o risco de guerra nuclear. Depois, continuou na Câmara dos Comuns até pouco tempo antes de falecer. Nos últimos anos de vida parlamentar, teve atuação discreta, proferindo discursos apenas ocasionalmente.
Em 21 de junho de 1955 foi inaugurada pela prefeitura de Londres a estátua de Churchill com a presença dele próprio. Em 1963, aos 89 anos, foi homenageado com o título de cidadão honorário dos Estados Unidos pelo então presidente John Kennedy. Não podendo receber a homenagem em Washington em razão de estado de saúde precário, foi representado pelo seu filho Randolph.
Apesar da carreira política de Churchill ser marcada por ocupar posições de destaque dentro do governo britânico em ambas as grandes guerras do século XX, pela análise de seus discursos verifica-se sempre uma busca pela paz, tendo chamado a Segunda Guerra Mundial de "a guerra desnecessária", defendendo a ideia que os países europeus deveriam ter impedido a Alemanha de recompor suas forças armadas antes da guerra, visando a evitá-la. Churchill acreditava que a entrada dos Estados Unidos da América na guerra era essencial para a derrota dos nazistas, criando grandes laços com os estadunidenses e com o presidente Franklin Roosevelt, tendo feito com este diversos contatos, entre eles a concepção da Carta do Atlântico em 1941. Apesar de ser incondicionamente antinazista, Churchill era defensor da higiene racial.
Ele foi um grande apreciador de Edward Gibbon, de cujo livro A História do Declínio e Queda do Império Romano ele memorizou várias passagens.
Churchill era também um apaixonado pela pintura, tendo dito que quando morresse, chegado ao céu, iria definitivamente passar os primeiros cem anos da eternidade a pintar. Em 2007 o jornalista Stephen McGinty lançou o livro CHURCHILL'S CIGAR - O CHARUTO DE CHURCHILL, um caso de amor e paz e na guerra, no qual relata uma história encantadora sobre um caso de amor que se consumia diariamente na fumaça. Churchill era um apaixonado por charutos, de preferência cubanos, os quais consumia diariamente.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nargaroth - Black Metal Ist Krieg (A Dedication Monument)

1.Introduction02:03
2.Black Metal Ist Krieg05:01
3.Far Beyond the Stars (Azhubham Haani cover)04:48
4.Seven Tears Are Flowing to the River14:47
5.I Burn for You (Lord Foul cover)02:56
6.The Day Burzum Killed Mayhem09:20
7.Pisen pro Satana (Root cover)02:40
8.Amarok - Zorn Des Lammes III09:30
9.Erik, May You Rape the Angels06:58
10.The Gates Of Eternity (Moonblood cover)05:04
11.Possessed by Black Fucking Metal06:33

Álbum de 2001,e na minha opinião,é de longe o melhor cd do Nargaroth.
Edição relançada em 2004 e limitada a 1000 cópias,e há também a versão em LP,limitada a 500 cópias.

Pode ser encontrado aqui.

Novidade.

Acredito que pessoas com valores em comum devem se unir,e por isso eu adicionei mais uma pessoa pra postar comigo aqui no Sombra Imortal.Logo que essa pessoa criar coragem(=p) ela irá se apresentar e vocês poderão ver o nome dela debaixo dos melhores posts.
É um prazer ter você aqui Luxúria.

Music Gound


Aqui está uma coisas que eu vou carregar pra sempre na minha barra de favoritos.
Se trata de um fórum que abrange uma quantidade enorme de material musical referente ao rock(metal em sua maioria)para download.
Funciona assim:
Você primeiramente faz o cadastro (Grátis)
Depois disso você tem acesso a todo o conteúdo do fórum,inclusive páginas de discussões.


Eu usava outro blog(bem menor é claro)pra baixar cd's;mas era uma pessoa só postando,e de acordo com o gosto musical dela(Que cá entre nós,não era tão refinado).Mas no Music Ground qualquer civil comum pode postar qualquer cd que esteja dentro dos parâmetros e das regras do fórum,e isso resulta em todos os membros participando.Se você não puder participar postando Cd's ou Dvd's(O que eu acho fácil pois é quase impossível encontrar algo que ainda não exista no Music Ground);participe agradecendo após baixar algo,incentivando os uploaders,e participando das discussões.O fórum explica melhor a convivência que pode-se ter sendo membro.

Garanto que o que não faltará serão boas amizades e bom conteúdo.

Deixo as próximas impressões com vocês:Music Ground